quinta-feira, 2 de abril de 2009

Brisa de Outono

São poucos dias de outono e o vento frio domina o dia, tudo está cinza: parece que vai chover. É um dia triste. Mesmo que hoje fosse um dia de Sol, um dia de festa, um dia de praia ou simplesmente um dia alegre. Seria um dia Triste.

O vento frio corta meus pensamentos e me eleva ao auge de minha natureza triste, ao auge de minha natureza poética e triste.

Todos os dias merecem a sua pitada de tristeza, o seu momento. Mas hoje é um dia especialmente triste. Tudo é triste, até o ar que luta por espaço no meu peito apertado pela dor é especialmente triste; O sorriso verdadeiro é triste; A alegria, a felicidade é triste; A inteligência é triste; A Paz é triste; Crianças expressam tristeza; Homens são impossíveis de se olhar de tão tristes que me parecem; a vida é mais triste que o normal e o Amor, até mesmo o correspondido e verdadeiro, é, também, triste.

Não existe Alegria neste dia, nem no Céu nem no Inferno.

Algumas lembranças tentam me animar: o abraço, o sorriso da menina e o brilho verdadeiro nos olhos. Mas ao invés de me animar, sinto profundamente minha depressão, me sinto sozinho, inundado em minha inevitável solidão, inundado em minha inevitável tristeza, neste dia melancólico, nesta vida melancólica. Um sorriso triste se mistura com a vontade de chorar.

Carrego machucados demais comigo, chagas antigas, sentimentos mortais que nunca morrem, lembranças que me matam até mesmo quando penso estar alegre. Dizem que chorar tira o peso da alma, talvez seja por isso que eu me sinta sempre carregado, com um peso insuportável nas costas, peso insuportável que carrego com muita bravura e orgulho. Dores que cultivei com o passar do tempo, com minha dificuldade pra chorar e pra sorrir sem mecanismos.

Prefiro minha tristeza a esta alegria falsa que me cerca: esta necessidade em ser alegre e esquecer os problemas. Por isso me orgulho deste meu dia cinzento e triste, este meu dia cinzento e bonito. Dias nascem e morrem, mas este viverá em mim. Entranhado em minha alma. No meu jardim íntimo das mágoas.

"A felicidade bestializa. Só o sofrimento humaniza as pessoas" Mario Quintana

domingo, 19 de outubro de 2008

Raios de Primavera

Hoje eu deveria dormir até mais tarde. Eu poderia ter dormido até mais tarde, depois dessa noite que passei em claro; tentando, em vão, escrever. Acordei cedo, cedo demais para um dia como este , que normalmente não teria manhã.

Fui acordado por uma luz que me machucava os olhos, uma luz que eu me prestei a esquecer, uma luz que eu não conseguia lembrar. Acordei com a luz do Sol; que entrava por alguma fresta da janela e me forçava a abrir os olhos. Meus olhos cansados e cheios de sono eram ofuscados pela luz solar. Minhas olheiras me davam um aspecto sombrio, sombrio como minha alma naquela manhã.

Ao abrir a porta de minha casa, uma alegria incontrolável tomou conta do meu ser, um discreto sorriso me apareceu no rosto. Sentei-me nos poucos degraus que levam a porta da frente. Fiquei ali apenas a apreciar a beleza que se fez do meu bairro, da minha rua sempre triste e monótona. Os primeiros raios do Sol Primaveril chegaram hoje. Esta Primavera começou com chuvas que pareciam intermináveis – a chuva não me deixa muito bem –. A “primavera das belezas” começou afogada em tristezas frias e invernais.

A brisa da primavera vai levando meu sofrimento para algum lugar de onde ainda seja possível voltar. O Sol já secou minhas últimas lágrimas. Mas não vou me iludir com as supostas euforias da primavera, com os supostos amores que dizem acontecer com mais freqüência, com a “beleza” das próximas estações. A dor nunca acaba realmente, é apenas anestesiada pelos acontecimentos vividos. Portanto, nem a primavera e nem o verão poderão acabar com a minha dor.

Este céu azul quase falso sobre mim me traz alguma esperança na vida. Tento não olhar muito pro céu. Fico aqui sentado no alto do meu morro, olhando este bairro e ouvindo os pássaros que pareciam nunca mais ter cantado. Tomo o meu café com um prazer que pensei não mais existir. A manhã passou e eu nem percebi.

Não posso prever o que acontecerá quando o Sol se puser e toda a escuridão voltar a mim. Tento não pensar na escuridão logo no começo da luz. Eu queria poder não pensar. Eu queria...