São poucos dias de outono e o vento frio domina o dia, tudo está cinza: parece que vai chover. É um dia triste. Mesmo que hoje fosse um dia de Sol, um dia de festa, um dia de praia ou simplesmente um dia alegre. Seria um dia Triste.
O vento frio corta meus pensamentos e me eleva ao auge de minha natureza triste, ao auge de minha natureza poética e triste.
Todos os dias merecem a sua pitada de tristeza, o seu momento. Mas hoje é um dia especialmente triste. Tudo é triste, até o ar que luta por espaço no meu peito apertado pela dor é especialmente triste; O sorriso verdadeiro é triste; A alegria, a felicidade é triste; A inteligência é triste; A Paz é triste; Crianças expressam tristeza; Homens são impossíveis de se olhar de tão tristes que me parecem; a vida é mais triste que o normal e o Amor, até mesmo o correspondido e verdadeiro, é, também, triste.
Não existe Alegria neste dia, nem no Céu nem no Inferno.
Algumas lembranças tentam me animar: o abraço, o sorriso da menina e o brilho verdadeiro nos olhos. Mas ao invés de me animar, sinto profundamente minha depressão, me sinto sozinho, inundado em minha inevitável solidão, inundado em minha inevitável tristeza, neste dia melancólico, nesta vida melancólica. Um sorriso triste se mistura com a vontade de chorar.
Carrego machucados demais comigo, chagas antigas, sentimentos mortais que nunca morrem, lembranças que me matam até mesmo quando penso estar alegre. Dizem que chorar tira o peso da alma, talvez seja por isso que eu me sinta sempre carregado, com um peso insuportável nas costas, peso insuportável que carrego com muita bravura e orgulho. Dores que cultivei com o passar do tempo, com minha dificuldade pra chorar e pra sorrir sem mecanismos.
Prefiro minha tristeza a esta alegria falsa que me cerca: esta necessidade em ser alegre e esquecer os problemas. Por isso me orgulho deste meu dia cinzento e triste, este meu dia cinzento e bonito. Dias nascem e morrem, mas este viverá em mim. Entranhado em minha alma. No meu jardim íntimo das mágoas.
"A felicidade bestializa. Só o sofrimento humaniza as pessoas" Mario Quintana